sábado, 25 de agosto de 2012

O diário de Kelly - "Aprendendo a ser grande"- 5ª parte

Oi meu lindo e pequeno confidente, vou lhe contar algo que hoje eu presenciei no colégio, vi um empregado do colégio que me surpreendeu – não que essa pessoa não seja capaz de me surpreender, não é isso -, o fato é que eu não o conhecia o suficiente para esperar uma atitude tão nobre. Não que essa pessoa por ser um empregado seja menos importante ou que ele fosse inferior a qualquer outra pessoa por ser um empregado.

Na verdade, esse empregado em especial é novo como funcionário do nosso colégio e tem apenas alguns dias que ele foi contratado pelo diretor do colégio. Então eu presenciei algo nobre deste humilde funcionário, mas ao mesmo tempo muito inusitado pra mim, mas para ele era necessário por se tratar de algo que poderia lhe causar um grande dano moral, psicológico e possivelmente colocar o seu cargo em risco, mesmo porque tem pessoas e pessoas, estou me referindo às atitudes delas.

Eu estava sentada em um dos bancos da pracinha do colégio, por sinal é uma pracinha muito bem cuidada por outro funcionário do colégio, o sr José, que carinhosamente chamamos de Zé; Eu também não entendo porquê se escreve com uma letra e se pronuncia com outra, mas isso não vem ao caso, voltando ao que eu estava falando, eu estava sentada num dos bancos da pracinha e vi a hora que o professor de história, o sr Ronaldo – que eu acho um pouco arrogante e isso eu digo porque já o conheço a um bom tempo, ele é daqueles que olha as pessoas com um ar de superioridade, pra ele todos tem seus devidos lugares, tanto os alunos quanto os funcionários, todos devem trata-lo por sim senhor e não senhor, você não deve falar com ele caso ele não lhe dê a palavra.

Certo, como eu estava dizendo eu vi a hora que o sr Ronaldo sentou em uma das mesas perto da lanchonete, até fiquei admirada, porque ele nunca passou perto da lanchonete, muito menos sentar próximo a ela, mas  também eu percebi que ele segurava um pacote volumoso que por sinal tinha um grande cuidado em proteger o mesmo. Mas por um momento sua atenção que era toda para aquele pacote foi toda desviada em direção à lanchonete, pois, naquele momento a sra Stela Maris, a doce professora de artes, que tinha o maior cuidado em se expressar e colocar o conteúdo de suas matérias em sintonia com seus alunos, havia chego na lanchonete como de costume, para fazer seu lanche diário. O professor Ronaldo ficou tão encantado com a presença da professora que por um momento perdeu o rumo, ficou a deriva, mas logo retomou o leme e saiu com a sua embarcação em busca de seu ancoradouro que por sua vez chamava-se Stela Maris, e não percebeu que em sua busca por sua terra prometida, o seu paraíso, o final do arco-íris, havia deixado para trás o pote de ouro que outrora o protegia com tanto afinco.
Logo quando o professor Ronaldo chega em seu destino e ficou diante da professora, tudo que fazia parte dos instantes vividos antes daquele momento, ficaram no esquecimento, pois a magia que o levou até o seu destino o contagiou e o fez com que todo o amor que estava no fundo do seu oceano chamado coração, não o deixou pensar em mais nada a não ser em sua amada.
O professor Ronaldo e a professora Stela Maris ficaram por alguns instantes conversando e saíram juntos, um admirando o outro. O professor todo encantado pela professora não se deu conta que havia deixado para trás seu pacote, seu pote de ouro. Logo que saíram, entra em cena o funcionário do colégio. Ele estava em seu horário de descanso e como não havia ninguém mais além dele, estava procurando uma mesa para comer seu lanche que tinha trago de casa, foi aí que ele se deparou com o pacote em cima da mesa. Como todo ser humano é curioso, ele abriu o pacote e olhou o que tinha dentro. Logo fechou o pacote com cara de assustado e olhou por todo o arredor para ver se alguém além dele tinha percebido aquele pacote em cima da mesa. Também não percebeu que a poucos passos dali eu estava observando tudo. O funcionário então pegou o pacote e saiu em direção a área de serviço. Eu imediatamente o segui sem que ele percebesse a minha presença. Então olhando através de uma das janelas eu vi o funcionário retirando do pacote seis maços de dinheiro com elásticos em volta deles. O funcionário não satisfeito contou cada cédula que havia dentro do pacote, e junto com ele fiz o mesmo e pude saber que em cada maço tinha cerca de 5 mil dólares, somando um total de trinta. Por não saber qual seria a atitude dele naquele momento, eu pensei o pior daquele homem e o julguei de todas as formas que se poderia julgar alguém, confesso que fui um pouco precipitada, mas o fato é que tudo mudou quando o funcionário pegou os seis maços de dinheiro e colocou novamente dentro do pacote e em seguida saiu em direção da lanchonete. Mas, no entanto ele passou direto e eu continuei a segui-lo. Então foi aí que me surpreendi, o funcionário entrou na sala do diretor e na presença do mesmo ele foi curto e grosso: falou francamente com o diretor que ficou surpreso coma atitude dele e se prontificou a encontrar o dono. Foi então que o funcionário pediu para o diretor que quando encontrasse o dono não falasse o valor da soma de dinheiro que estava dentro do pacote. O funcionário não queria julgar ninguém, mas antes de alguém além de não agradecer poderia insinuar ter menos no pacote do que antes. Ele pediu ao diretor que perguntasse ao dono do pacote o valor exato antes de lhe entregar a quantia. E assim foi feito e pediu também que não mencionasse quem havia encontrado.
O diretor ficou espantado com a atitude do funcionário em querer ficar no anonimato e sem pedir nenhuma recompensa por se tratar de uma quantia tão alta. Foi aí que eu percebi que aquele funcionário tinha seus princípios e dentre eles a honestidade, algo que faz de nós termos um excelente caráter, demonstrando desta forma sua atitude nobre.
Então me lembrei do livro dos jovens, no capítulo VIII, que fala do valor e poder atrativo do caráter: “se em qualquer circunstância ele conseguir manter intacta a sua nobreza de caráter, e for capaz de conservar até o fim a sua dignidade de filho de Deus, então poder-se-á dizer que sua vida foi coroada de êxito, independentemente do fato de ele ter ou não conquistado fama ou sucesso financeiro”.  
Viu meu lindo e pequeno confidente, eu aprendi que não há nada nesse mundo mais valioso que o nosso caráter, e não há fama ou fortuna que corrompa os seus princípios, é por isso que eu sou como sou e não há nada e ninguém que mude o meu modo de pensar e agir.  Ha! Meu pequeno diário, eu também aprendi com esse humilde empregado, que caráter não se adquiri, a gente já nasce com ele, o que a gente aprende é ter princípios e eu tenho os meus. E você tem os seus?
Cairê Barcelos